Império vermelho

Nuno Catarino, Ípsilon - Público (2011/01/11)

O RED Trio foi a grande revelação do panorama jazzístico do ano que passou. O grupo de Hernâni Faustino (contrabaixo), Rodrigo Pinheiro (piano) e Gabriel Ferrandini (bateria) revelou-se com o disco homónimo, edição Clean Feed, que mostrava um trabalho originalíssimo à volta da improvisação. Desta vez o grupo nacional conta com a companhia do saxofonista inglês John Butcher, talvez o mais criativo explorador do instrumento depois de Evan Parker. Lançado na editora lituana NoBusiness, este disco regista esse encontro musical, com o trio luso a procurar (e a encontrar) pontos de contacto com o experiente improvisador inglês. O resultado desta ligação acaba por ser muito positivo, uma vez que a música aberta e evolutiva do trio encontra em Butcher um parceiro que entende e comunica através da mesma linguagem. O saxofonista vai-se adaptando às ambiências de cada momento, integrando-se na massa sonora, contribuindo para a sua permanente transformação. Sendo despropositado fazer destaques individuais, é importante referir que a principal qualidade deste álbum reside na união colectiva: cada um dos instrumentos curva-se às necessidades da música, sendo recorrente servirem-se de técnicas extensivas. Se a música do RED Trio era caracterizada pela sua veia democrática, pela forma mutante, e pela criatividade da sua abordagem, este novo disco reafirma essas características e acrescenta uma nova informação: o trio mostra saber estar ao nível dos gigantes da improvisação mundial.

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